sábado, 3 de novembro de 2007

Traduzir-se?

Traduzir-se
Ferreira Gullar

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Ultimamente ando pensando sobre a tal da dialética e o significado que essa tem para as "coisas" da vida. Mas o que é mesmo dialética? No Aurélio, sugnifica "sf. A arte do diálogo ou da discussão"; "adj. Que concerne à arte do diálogo. Diz-se de todo processo que é incessante, progressivo, movido por oposições violentas e que avança por rupturas".

Considerando esses aspectos, pode-se considerar que há dois elementos: o primeiro é o encontro, o segundo seria um embate que gera um terceiro. Explicando melhor, quando se tem determinada idéia, essa é exposta a um contexto social. Ela só faz sentido quando é debatida a partir de diversos pontos de vistas e tem alguma relação com esse contexto, ou seja, faz algum sentido. Por esse ponto de vista, é preciso haver o espaço para a contextualização do mundo das pessoas que dialogam procurando emprenhar tal idéia com determinado significado.

Por outro lado, ao revisitar o conceito de dialética, a tese, que representa uma idéia aceita, não é definitiva e pode entrar em choque com alguma concepção divergente - a antítese. Desse embate entre tese e antítese pode surgir um outro elemento novo. Esse movimento caracteriza a dialética - tese em embate com antítese, gerando um terceiro elemento.

Contudo, ao "escutar" o porma de Gullar compreendo que na vida estamos expostos ao mesmo tempo a essa dualidade. Onde está o terceiro elemento? Seria a arte? Essa é capaz de significar esse eterno embate que (trans)figura a vida?

Sou somos todos e ninguém

Meu esquema - Mundo Livre S/A

Essa música é um primor!

Manifesto Mangue

Na década de 1990 surgiu na Região Metropolitana do Recife um movimento que trazia para a cena as produções culturais de uma cidade que emerge "da lama ao caos". Esse movimento lançou um manifesto que marca o pensamento filosófico e político da Manguetown.

Caranguejos Com Cérebro

por Fred Zero Quatro

O primeiro manifesto do Mangue, na íntegra e em sua versão original de 1992.

Mangue, o conceito


Estuário. Parte terminal de rio ou lagoa. Porção de rio com água salobra. Em suas margens se encontram os manguezais, comunidades de plantas tropicais ou subtropicais inundadas pelos movimentos das marés. Pela troca de matéria orgânica entre a água doce e a água salgada, os mangues estão entre os ecossistemas mais produtivos do mundo.

Estima-se que duas mil espécies de microorganismos e animais vertebrados e invertebrados estejam associados à vegetação do mangue. Os estuários fornecem áreas de desova e criação para dois terços da produção anual de pescados do mundo inteiro. Pelo menos oitenta espécies comercialmente importantes dependem do alagadiço costeiro.

Não é por acaso que os mangues são considerados um elo básico da cadeia alimentar marinha. Apesar das muriçocas, mosquitos e mutucas, inimigos das donas-de-casa, para os cientistas são tidos como símbolos de fertilidade, diversidade e riqueza.

Manguetown, a cidade

A planície costeira onde a cidade do Recife foi fundada é cortada por seis rios. Após a expulsão dos holandeses, no século XVII, a (ex)cidade *maurícia* passou desordenadamente às custas do aterramento indiscriminado e da destruição de seus manguezais.

Em contrapartida, o desvairio irresistível de uma cínica noção de *progresso*, que elevou a cidade ao posto de *metrópole* do Nordeste, não tardou a revelar sua fragilidade.

Bastaram pequenas mudanças nos ventos da história, para que os primeiros sinais de esclerose econômica se manifestassem, no início dos anos setenta. Nos últimos trinta anos, a síndrome da estagnação, aliada a permanência do mito da *metrópole* só tem levado ao agravamento acelerado do quadro de miséria e caos urbano.

Mangue, a cena


Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico para saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruindo as suas veias. O modo mais rápido, também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.

Em meados de 91, começou a ser gerado e articulado em vários pontos da cidade um núcleo de pesquisa e produção de idéias pop. O objetivo era engendrar um *circuito energético*, capaz de conectar as boas vibrações dos mangues com a rede mundial de circulação de conceitos pop. Imagem símbolo: uma antena parabólica enfiada na lama.

Hoje, Os mangueboys e manguegirls são indivíduos interessados em hip-hop, colapso da modernidade, Caos, ataques de predadores marítimos (principalmente tubarões), moda, Jackson do Pandeiro, Josué de Castro, rádio, sexo não-virtual, sabotagem, música de rua, conflitos étnicos, midiotia, Malcom Maclaren, Os Simpsons e todos os avanços da química aplicados no terreno da alteração e expansão da consciência.

Bastaram poucos anos para os produtos da fábrica mangue invadirem o Recife e começarem a se espalhar pelos quatro cantos do mundo. A descarga inicial de energia gerou uma cena musical com mais de cem bandas. No rastro dela, surgiram programas de rádio, desfiles de moda, vídeo clipes, filmes e muito mais. Pouco a pouco, as artérias vão sendo desbloqueadas e o sangue volta a circular pelas veias da Manguetown.

Mais informações sobre as produções do Movimento Mangue ou Manquebeat

http://pt.wikipedia.org/wiki/Manguebeat


sábado, 6 de outubro de 2007

Propaganda - Síndrome de Down

Creio que essa foi a melhor propaganda sobre Síndrome de Down que já foi feita.

sábado, 22 de setembro de 2007

Roda Punk: vamos arrudiar?

Nos shows de punk ocorre um fenômeno de massa bem característico - a roda de punk - em que as pessoas vão circulando, pulando, jogando-se umas sobre as outras num movimento desenfreado formando um círculo humano pulssante.

Nesses momentos circulares ocorre o "mosh", quando algumas pessoas se jogam do palco, mergulhando nessa onda de pesoas. É muito interessante porque me disseram que nunca viram alguém cair, ou melhor, "se estabacar" no chão ao fazer um "mosh". Isso me faz pensar que a roda tem uma lógica bem peculiar nesses momentos de cultura "trash".

Eis um fenômeno curioso, em que as culturas dessa sociedade conteporânea parece estar mais próxima a daquelas tribais, afinal as tribos primitivas também são marcados pelas danças circulares. Esses círculos nos levam ao primitivo que há em nós, o que não significa violência, mas pulsação!

Com a voz, devotos!

Dia mundial sem carros - 22 de setembro

Em 22 de setembro comemora-se o Dia Mundial Sem Carros, evento que é conhecido no mundo como World Carfree Day. Esse movimento surgiu por volta da década de 1970 em algumas cidades européias durante a crise do petróleo . Oficialmente, o dia foi instituído em 2000, durante a Jornada Internacional "In Town Without My Car" (Na Cidade, Sem Meu Carro), que reuniu 760 municípios e foi organizada pela União Européia.

O Brasil aderiu a essa campanha em 2001, quando 11 cidades brasileiras aderiam à data: Porto Alegre, Caxias do Sul e Pelotas (RS); Piracicaba (SP); Vitória (ES); Belém (PA); Cuiabá (MT), Goiânia (GO); Belo Horizonte (MG); Joinville (SC); São Luís (MA). Porém, de modo geral no país poucas atitudes e polítoas foram estruturadas para mudar o cotidiano das cidades com relação ao uso de carros. Nesse sentido, vem crescendo o uso de carros de passeio em detrimento da utilização dos transportes coletivos. Isso ocorre, em parte, porque atualmente existem financiamentos para compra de carros cada vez mais acessíveis para a população. Além disso, reclama-se que o sistema público de transportes urbanos ainda está aquém de atender às expectativas da população.

E por que as pessoas ficam vidradas no uso de carros de passeio? Interpreta-se então que existe um fetiche do uso do carro, uma vez que as pessoas são cada vez mais vidradas em carros, que representam um símbolo de poder para a sociedade. Quem nunca ficou hipnotizado com uma maravilha tecnológica que é capaz de ultrapassar os caminhos em um tempo tão curto? Quem não fica maravilhado com a comodidade que os carros modernos proporcionam? Quem não fica absorto com as corridas e ultrapassgens que esse objeto é capaz de fazer? Porém não pensamos no combustível que tem um tempo limitado de uso. Até mesmo o biocombustível também requer um espaço de plantio, que compete com outras culturas de subsistência.

Fora o desejo pelo objeto carro, ainda tem a alteração do comportamento do próprios motoristas. Com relação a esse ponto é possível lembrar do episódio do Pateta, da Disney, que se transforma de pacato cidadão a um motorista irresponsável.

Fica no horiezonte a questãor: até quando vamos nos deixar guiar pelo desejo de velocidade e pelo fetiche em ter um objeto de poder em detrimento do uso de transportes coletivos? Para que haja uma mudança nesse quadro, o estado e a população civil percisam pensar e agir em prol do uso de automóveis e na estruturação de transportes coletivos mais eficientes que sirvam para as gerações atuais e futuras.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Indignação

Ultimamente tenho ficado estupefata com vários fatos-atos-desatinos do cotidiano em ação: Indignação! Da micropolítica à macropolítica do nosso cotidiano vejo o atropelo do tempo que urge e unta nossa ação estagnada. "E agora, José? Para onde?". Mas vou ressignificando os fatos-alienação que explodem palavras-em-ação, numa forma sem fôrma que vai deglutindo o que se apresenta e que teimo em querer reinventar.

Indignação
Skank


Eu fiquei indignado
Ele ficou indignado
A massa indignada
Duro de tão indignado

A nossa indignação
É uma mosca sem asas
Não ultrapassa as janelas
De nossas casas

Indignação, indigna
Indigna, inação (...)